Facebook reconhece que 87 milhões de utilizadores tiveram a sua informação comprometida

O Facebook anunciou na quarta-feira que o número de utilizadores afectados pelo polémico caso relacionado com a Cambridge Analytica pode ter sido bastante superior às estimativas que inicialmente apareceram nas notícias. A empresa anunciou que podem ter existido 87 milhões de utilizadores com a sua informação utilizadas para fins políticos, ao invés dos 50 milhões que têm até agora sido falados.

Este anúncio surgiu dos niveis mais altos do Facebook: mais concretamente de Mike Schroepfer, o chefe de tecnologia da empresa. Este anúncio foi partilhado num dos blogs oficiais do Facebook. Schroepfer confirma que a esmagadora maioria destes 87 milhões de utilizadores residem nos Estados Unidos da América.

A polémica promete não abrandar no futuro próximo

Este anúncio surge num contexto em que o cerco ao Facebook parece longe de cessar. Os estados estão a criar novas regulações para as plataformas sociais, a sociedade civil tem-se feito ouvir no que concerne a questões de privacidade, os accionistas da empresa não gostaram das grandes perdas de capital que a empresa sofreu e existem diversos processos em tribunal na sequência do escândalo que se prosseguiu à reportagem da Channel 4.

Mark Zuckerberg irá depor sobre este caso na próxima semana perante o congresso americano numa audiência muito aguarda que se espera tensa.

Zuckerberg pediu desculpa aos utilizadores

Zuckerberg alugou diversos jornais de anúncios na imprensa americana e britânica para pedir desculpa aos utilizadores. “Temos uma responsabilidade: proteger os vossos dados. Se não conseguimos, não vos merecemos”, escreveu Mark Zuckerberg nesta mensagem publicada na última página dos jornais de referência.

Cambridge Analytica: a empresa que se especializou em recolher dados pessoais para fins políticos

O Facebook está no centro da polémica desde que foram reveladas práticas da empresa Cambridge Analytica, acusada de recuperar – sem autorização – os dados de 50 milhões de utilizadores do Facebook e de os ter usado com fins eleitorais na campanha presidencial de Donald Trump em 2016. Estes dados foram recolhidos sem autorização expressa dos utilizadores com recurso a uma aplicação programada para recolher o máximo de informação possível.

Essa informação foi depois utilizada para criar perfis psicológicos, de hábitos e preferência, e utilizar essa informação aglomerada e organizada para delinear estratégias políticas na campanha de Donald Trump (e especula-se que em outras campanhas em diversos países). Agora, o Facebook confessa que o número poderá ser maior.

Mark Zuckerberg será ouvido pelo congresso americano no próximo dia 11 de Abril pelas 10:00 ET (15:00 na hora de Lisboa). As autoridades americanas encontram-se a investigar o caso.